domingo, 9 de setembro de 2012

VILA DO PILAR

- do correspondente - 

- Em dias da semana passada, aqui esteve o senhor Dr. Novaes, engenheiro da Superintendência de Obras Públicas, que veio inspecionar as estradas do município.

- A 6 do corrente, celebrou-se nesta Vila uma missa conventual em louvor ao Bom Jesus, sendo bastante concorrida.

- O diretório do Pilar indicou os nomes dos Drs. Abranches, Lacerda e os mais apresentados para a Comissão Central.

- O leilão de prendas em honra ao Bom Jesus, deu um bom resultado.

- Tem sido ótimas as curas feitas pelo Dr. Ignacio Guasque. S. S. realmente tem revelado alta proficiência, a qual é reunida a um civismo esmerado que cada vez mais se faz credor da estima popular.

- Para o Jornal "O Democrata", de Capão Bonito do Paranapanema, de 18.09.1.901, de nosso acervo.

sábado, 8 de setembro de 2012

IMPRESSÕES SOBRE OS TROPEIROS











Apreciai, leitor amigo, a vida descuidosa do obscuro tropeiro.

Ei-lo em meio à estrada, conduzindo aquela disciplinada manada de bestas, como que dando uma passageira ideia das históricas caravanas dos desertos.
Cantarolando alegremente umas velhas trovas populares ou assobiando qualquer trecho de música que não prima beleza na execução,  lá vai o indefeso viajante levantando a poeira dos caminhos, ouvindo o som constante e monótono da chocalheira, contemplando o infinito, embalado unicamente em seus despretensiosos pensares.
Quando se avizinha a misteriosa e obumbrada noite, antes que a melancólica lua paloreje a ensombrada terra, ele procura um lugar seguro onde repouse resguardado do frio, da chuva e do vento.
E enquanto a sua tropa se nutre sossegadamente, prepara a modesta refeição que, apesar da frugalidade que encerra, tem um sabor especial a que só ele sabe dar valor.
Se a fadiga da jornada ainda não apoderou-se de seu corpo, e se uma amistosa companhia lhe aparece, emprega-se logo em, um passatempo agradável, que quase sempre tem por agente um predileto baralho.
Ou então, à falta deste entretenimento, recorda em sua narrativa singela na exposição, mas prenhe de naturalidade, as antigas lendas de sua terra, aceitando-as sinceramente como possuidoras do cunho da veracidade.
Terminada a diversão escolhida, entrega-se a um sono que o hábito tornou ligeiro, e, de manhã, quando o sol irradia-se na longa faixa do nascente, enceta o seu costumado trabalhar, em que as cenas do dia antecedente repetem-se invariavelmente.
Mesmo esquecido do mundo, pertencendo a uma classe ludibriada por muitos, ele é uma fonte legítima de proveitos para agricultores e comerciantes, dando a sua partilha para a propagação de mercadorias, dando a sua partilha para o desenvolvimento do progresso.

Ernesto Sampaio - 21.7.1.901 - para o jornal "O Democrata", de Capão Bonito do Paranapanema.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

"PELO MUNICÍPIO"


"Já tivemos ocasião de dizer, quando nos referimos à lavoura municipal, que este município era constituído de 140 léguas quadradas mais ou menos de superfície.
Essa superfície toda é ocupada por matas virgens, capoeiras e campos.
Terrenos de primeira ordem para cultura.
A produção é superabundante.
Nas extensas matas virgens, que ocupam parte do solo, concentram-se, com a maior facilidade, grande variedade de madeiras de lei, apropriadas para marcenaria e construção.
Estes elementos próprios serão suficientes para o engrandecimento deste município.
Falta-nos, porém, a facilidade de locomoção.
Seria admirável o passo gigantesco do progresso municipal, se contássemos com um ramal férreo que facilitasse a exportação dos produtos de nossa lavoura.
Quanto elemento para a indústria não se perde?
E por que motivo? 
Simplesmente por faltar-nos o meio fácil de comunicação, que traria, infalivelmente, grandes vantagens, não só a este, como a outros municípios vizinhos.
A lavoura tomaria grande impulso, porque poderiam ser diversificados os seus produtos.
A Companhia também teria incalculável vantagem com o prolongamento da estrada até esta cidade, e sem sacrifício nenhum, atendendo-se o plano de dirigir-se ao Itararé.
O terreno para o prolongamento não oferece dificuldade, pois que, além de ser completamente sólido, é quase inteiramente plano. 
Não se encontram essas grandes elevações, que obstarão a passagem fácil ou imporão grandes voltas, para evitar escavações.
Capão Bonito, apesar de achar-se situado num recanto do Estado, está na altura de merecer o apoio dos poderes competentes, e oferecer um futuro risonho.
Se não fora os elementos próprios de que dispõe, não poderia representar o papel saliente que representa perante os grandes mercados, onde mantém as suas relações comerciais.
Para inferirmos o quanto é possante este município, é bastante prestarmos atenção na importação anual, apesar da dificuldade de comunicação.
Essa atividade comercial não é procedente senão do grande consumo municipal, visto que este município não tem dependência de nenhum dos circunvizinhos.
Tem ele vida própria e sustenta em muito boas condições as suas relações e o seu crédito.
Portanto, à vista do que acabamos de expor, não vemos um motivo plausível pelo qual a Companhia União Sorocabana e Ituana resolvesse, no seu prolongamento, com destino a Itararé, deixar de passar por esta cidade que tão grandes vantagens oferece, para preferir uma Fazenda de um particular, a não ser em obediência à politicagem, em tantos casos prejudiciais".

Editorial assinado por Camillo J. A. Lelis e Calixto G. de Almeida, redatores do "O Democrata", de Capão Bonito do Paranapanema, edição 21 de julho de 1.901, de nosso acervo.

UMA VINGANÇA IGNÓBIL

"Obedecendo o programa apresentado no nosso primeiro número e, à vista do estado calamitoso em que se achavam as prisões da cadeia desta cidade, entendemos que devíamos pedir providências, o que fizemos no nosso número de 23 de junho, p. passado.
Por esse motivo, o Carcereiro, que figurava no número dos nossos assinantes, devolveu-nos o jornal, com o fim de vingar-se de nós.
Que parvoice!
Entenderá ele que o nosso intuito, publicando este jornal, é de fazermos fortuna?
Se assim pensa, está completamente enganado.
O nosso propósito é muito diverso; queremos apenas, se bem que nos falte capacidade, prestar algum serviço a este município.
Assim sendo, havemos sempre de censurar as injustiças e profligar desassombradamente contra arbitrariedades.
Não nos importamos com devolução, e continuaremos impávidos observando fielmente o nosso programa.
De nossas censuras parece-nos que não haverá motivo para indignação, atendendo-se o antigo rifão: quem não quiser ser lobo, não deve vestir a pele.
Em conclusão, temos a dizer que pouca importância damos à devolução; o que é certo é que estamos satisfeitos porque, com a nossa reclamação, foi feita a necessária limpeza nas prisões".

a) Camillo J. A. Lelis e Calixto G. de Almeida, redatores do "O Democrata", de Capão Bonito do Paranapanema, edição de 7 de julho de 1.901, de nosso acervo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

UM POEMA DO MAJOR DR. CARLOS AUGUSTO CARDOSO DE MENEZES

"À minha sobrinha Rosa, filha do cidadão Gabriel dos Reis Caminha":

- Mote-
Da rosa lhe veio o nome,
Em setembro, quatro, nascida.
Viterbo por sobrenome
Foi da santa merecida.

- Glosa -
Do grande cometimento
O berço da santa nação
Dela veio o nascimento
Dela é meu coração!

Oh, luz de sublime encanto
Chez y tout les homme!
Padre, Filho, Espírito Santo,
Da rosa lhe veio o nome.

Destinou-a o céu este mês
Tendo por signo a balança
E pura e santa a fez!
Assim eu nutro a esperança
De viva fé exaltada
E amo-a estremecida
De fogo cheia animada
Em setembro, quatro, nascida.

Tenho nela a Intercessora
A santa mãe, a perfeição
Tendo nela a Protetora
Tudo ponho em vossa mão.
São de glórias marciais
Que a terra jamais consome
E dela nasceu meus ais
Viterbo por sobrenome.

Dos sábios povos romanos
Viterbo antiga, a católica:
Pedestal e luz dos humanos
Foi de glória ufana e rica
E desse rasgo da história
Excelsa e austera erguida
Deus fadou-a por memória
Foi da santa merecida.

Capão Bonito do Paranapanema, 5 de julho de 1.901.

"COLONIZAÇÃO"




Os Capitães Calixto Gonçalves de Almeida (foto) e Camillo José de Araujo Lelis, redatores do jornal "O Democrata" de Capão Bonito do Paranapanema, eram lá eleitores do 4o. Quarteirão.
Na edição do dia 11 de agosto de 1.901, de nosso acervo, escreveram um editorial para o seu jornal muito importante intitulado COLONIZAÇÃO.

"Pelo que temos lido nas principais folhas de São Paulo, o Governo trata da introdução de elevado número de imigrantes, no intuito de povoar o sul do Estado, onde há grande extensão de terreno devoluto.
Sabemos que todas as autoridades desta receberam do doutor Secretário da Agricultura um pedido de informações sobre a existência dessas terras nesta comarca, inquirindo sobre a sua extensão e importância, não só referente à cultura, mas também sobre a sua riqueza mineral.
Neste município, o terreno devoluto é muito vasto; acompanha os pontos limítrofes desde a divisa de Ribeirão Branco e Iporanga, até às divisas das Sete Barras, sendo, portanto, este município ocupado por terreno devoluto de sudoeste a leste, podendo-se calcular uma área de trinta léguas quadradas, mais ou menos.
Esse terreno, quase em sua totalidade, é ocupado por matas virgens; nele, encontra-se, bem como nas margens dos rios que o banham, muita terra de primeira qualidade, para o plantio de cereais.
Somos informados por pessoas fidedignas e despretensiosas que tem tido ocasião de embrenhar-se por essas matas com o fim de divertirem-se em caçadas, de terem encontrado vestígios certos que demonstram a existência de importantes jazidas de ouro.
Não podemos deixar de dar crédito a essas informações que temos, por terem sido elas de pessoas que, já em outros tempos, ocuparam-se na mineração e, por isso, se não tem conhecimento próprio ou científico, pelo menos, praticamente devem conhecer esses sinais certos.
Seria portanto de grande vantagem que o Governo do Estado mandasse uma comissão de engenheiros que, guiados por esses homens práticos daqui, se dirigissem a esse sertão e fizessem uma exploração interessada dessas ricas jazidas.
Sentimos imensa falta de ouro e possuindo o nosso solo tanta abundância!
Essa exploração de nenhuma forma poderá prejudicar, visto que, ainda mesmo admitindo-se que não houvesse possibilidade de encontrar essas jazidas, seria ela aproveitável para uma informação autorizada sobre o terreno devoluto deste município".   

ELEITORES DE CAPÃO BONITO DO PARANAPANEMA:

Eleitores do 2o. Quarteirão da cidade de Capão Bonito do Paranapanema, revisão feita em 1.901:

Antonio Mathias Alves
Alfredo de Oliveira Preto
Augusto Frederico Pereira
Antonio Cleys de Oliveira
Avelino de Souza Leite
Tenente Casimiro de Almeida Rosa
Domingos José Dias
Capitão Eugênio Castanho de Almeida
Francisco Oliva
Capitão Francisco Antonio Pucci
Felix Dias Prestes
Gregório Cordeiro de Miranda
Gabriel Manoel Ribeiro da Silva
Izidoro Canuto do Nascimento
José Galvão dos Santos
João Arcanjo de Oliva
João Castanho de Almeida Lara
José Monticelli
José Maria Galvão Júnior
José Gonçalves de Andrade
Joaquim Pucci
José Aniceto Ferreira
Joaquim Luiz de Oliveira Ramos
Joaquim Barbosa de Oliveira
Lúcio Ribeiro Martins
Licínio Caetano dos Santos
Manoel Pedroso de Araujo
Olímpio José da Rosa
Salvador Gomes de Proença.