Prédio escolar
ESPAÇO VOLTADO AO INTERIOR DE SÃO PAULO: GENTE, CIDADES, HISTÓRIAS E MEMÓRIAS.
domingo, 7 de julho de 2013
sábado, 6 de julho de 2013
sexta-feira, 5 de julho de 2013
MORTE DO CAPITALISTA JOAQUIM DE SOUSA FREIRE
Do correspondente de
Sorocaba, em 8/1/856 para o Correio Paulistano de 11 de janeiro de 1.856:
Morreu o grande capitalista Joaquim de Sousa Freire, pai do Dr. João Nepomuceno; calcula-se a fortuna que deixou em 400 contos, que serão divididos
entre a viúva e 4 filhos; o Sr. Sousa há
de fazer muita falta ao comércio desta
praça, pois que no tempo da feira de bestas comprava-se e vendia-se tropas sem
dinheiro na algibeira, mas tendo sempre
em vista o dinheiro do Sr. Sousa, que o
dava à prêmio, ou rebatia letras; o seu
capital em giro anda quase em 200 contos: não é debalde que alguns o chamavam - o Rothschild de Sorocaba.
SOROCABA: 1.856
Esta carta foi transcrita do jornal "O Sorocaba" de 15 de julho de 1.856 pelo jornal "Correio Paulistano" de 18 de julho do mesmo ano; encontrei-a nas pesquisas feitas junto ao Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Veja só:
"Por ora só tenho a participar-vos que ontem ao fechar da noite foram presos dois pretos, um dos quais diz ser forro e chamar-se Antonio, e outro João, escravo do Dr. Sampaio, de Campinas.
Apearam-se ambos à porta do negociante José Leite Penteado e começaram a comprar várias fazendas de alto preço, apresentando muitas moedas de ouro.
O negociante (honra lhe seja feita), desconfiando que seriam escravos fugidos, porque não conheciam as moedas que queriam dar em pagamento, os foi entretendo, e mandou avisar ao Tenente Coronel Bento Loureiro, suplente do delegado, que os mandou prender imediatamente.
O que disse chamar-se Antonio, figurava de patrão do outro; parece ter 20 anos de idade, mais ou menos; estava de gravata de seda mal enlaçada, colete, paletó e botas pretas grandes demais para seus pés; e o João estava vestido de roupa de algodão.
Passaram-lhes uma minuciosa revista e encontraram em um embrulho mais de dois contos e trezentos mil réis em ouro, prata e papel.
Sendo interrogados pelo delegado, responderam que iam a Itapetininga entregar aquele dinheiro ao dono de uma tropa, mas não apresentaram documento algum que comprovasse o seu dito.
O Antonio, apesar de ser algum tanto desembaraçado, gaguejava em suas respostas e tomava a palavra do outro, que pouco falava.
Está visto que são escravos fugidos, que roubaram aquele dinheiro e bom será que não tenham perpetrado algum assassinato.
Apresso-me em comunicar-vos estes fatos e espero que logo o publiqueis, a fim de que seus senhores, ou outros interessados, venham procurar na cadeia desta cidade e receber o dinheiro que se acha depositado em mão segura".
OBS: Ninguém assinou esta carta.
SOROCABA: 1.854
A cidade de Sorocaba, nessa época, já possuía bem definida a sua história.
Conforme o jornal Correio Paulistano, servia-lhe de matriz a igreja consagrada a Nossa Senhora da Ponte, sua padroeira. Havia em seu recinto um recolhimento de mulheres votado à Santa Clara e um hospício de Beneditinos, ambos com igrejas próprias.
Outras igrejas: do Bom Jesus, de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, da Misericórdia a que era anexado um hospital de Santo Antonio e da Cruz, as capelas de São Francisco, de Nossa Senhora da Aparecida e de Nossa Senhora das Dores.
Em seu distrito eclesiástico compreendia-se também a capela curada de Ipanema que era sujeita à igreja paroquial de São João.
O Hospício dos Beneditinos possuía duas fazendas: uma no distrito da cidade e outra na Vila de Itapetininga, ambas havidas por legado e concessão, e ambas à época arrendadas.

1916 - Largo da Matriz, atual Praça Coronel Fernando Prestes, centro da cidade, e a catedral Nossa Senhora da Ponte, em foto de Francisco Scardigno.
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