segunda-feira, 4 de março de 2013

SANTO ANASTÁCIO


A efetiva intenção de expansionismo da Estrada de Ferro Sorocabana, começou a despertar o interesse de grupos que detinham a posse de terras na região, dentre eles a Companhia dos Fazendeiros de São Paulo, que firmou um contrato com a Sociedade Ramos e Porto & Cia, que tinha como sócios os srs. Arthur Ramos e Silva (pai), Arthur Ramos e Silva Jr., Dr. Luiz Ramos e Silva e Fabiano Porto, com o objetivo de lotear as glebas rurais, comercializar e colonizar a região.
Para o Posto de Vendas, designou o Dr. Luiz Ramos e Silva e o engenheiro Silvano Wendel, que houvera desenhado a planta de uma nova cidade.
Os primeiros lotes de terras com 50 alqueires foram adquiridos por FRANCISCO BRAVO DEL VAL e ÂNGELO TÁPIAS ORTIZ, pelo valor de 60.000 reis cada.
O curioso é que cada um que adquiria um lote na zona rural, ganhava gratuitamente um terreno localizado na zona urbana, ou seja, na futura cidade que viria florescer.

OS PRIMEIROS MORADORES DA CIDADE

JOSÉ FRANCO MOIA - Foi o primeiro morador do lugarejo, ainda chamado Vai e Vem, que construiu sua casa na esquina das atuais ruas Osvaldo Cruz, com a Dom Pedro II, sendo instalada no local uma hospedaria de nome Hotel Franco, tendo neste local, mais tarde, sido construído o Bar Jardim, depois Confecções Líder.

ANTÔNIO CARDOSO - Na extremidade oposta do quarteirão – avenida Dom Pedro II, esquina com a avenida José Bonifácio.

FRANCISCO PANTUSO (primeiro barbeiro da cidade) e JOSÉ ANÉAS FRANCO, construíram suas casas na atual rua Barão do Rio Branco, aproximadamente nas imediações onde hoje localiza-se o Edifício João Antonio Corral.

JOCELINO DE CAMARGO - construiu sua casa na rua Rui Barbosa.

ANTÔNIO LOPES – construiu uma casa de madeira na avenida José Bonifácio, quase esquina com a Dom Pedro II, localizada ao lado do antigo bar Ok.

JOSÉ JOAQUIM LOPES – construiu uma casa comercial na avenida Dom Pedro II.

NICOLA ARNONI – foi o primeiro a construir uma casa de tijolos, localizada na rua Rui Barbosa, 668.

MANOEL FALCON – a segunda casa de tijolos, construída na esquina das avenidas José Bonifácio e Dom Pedro II, local onde depois foi instalada as Casas Pernambucanas.

HENRIQUE NICOLINO RINALDI – foi o proprietário da primeira farmácia da cidade “Pharmácia da Fé”, situada defronte à Praça Ataliba Leonel, tendo posteriormente sido vendida ao sr. JOSÉ ORFILA MINEIRO, que foi o primeiro vice-prefeito.

SANTOS FERNANDES, FAMÍLIA GALINDO, MIGUEL PALMA, MANOEL SALINAS REINA, também aqui chegaram nos primórdios da cidade.

OLÍMPIO RICCI e IZIDORO SALINA foram os primeiros pedreiros e JOSÉ SALINA o primeiro carpinteiro.










site oficial.
fotos: emurb

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

PAULO OHIRA, DE MIRANDÓPOLIS



Paulo Ohira nasceu em 1938 na cidade de Mirandópolis, no interior do estado de São Paulo. 
Filho de imigrantes japoneses, ele viveu até os dez anos de idade em uma comunidade nipônica. 
Foi quando sua família se mudou para a cidade de São Paulo, foi estudar em um internato em Mogi das Cruzes e começou a aprender português. 
O idioma representou muitos desafios para ele. 
A história, Paulo Ohira contou ao Museu da Pessoa em agosto de 2007.
Eu falava [o português] tudo atrapalhado, porque é diferente. Em português é "Estação da Luz". Japonês fala o contrário, não fala "Estação de Santana", fala "Santana Estação", tudo ao contrário. Nessa hora a gente se atrapalhava muito.
No que eu comecei a aprender a ler, o que eu achava estranho é que todas as páginas dos jornais, mas tudo, tudo tinha o meu nome: 
“Mas que Diabo! Por que tem esse negócio de meu nome aqui nos jornais?” 
Aí, eu fiquei sabendo: por causa de São Paulo, é o Estado de São Paulo. 
Então, o meu nome estava lá, em todas as páginas. 
Eu tinha 10, 12 anos quando comecei, mal comecei a ler. Então, a primeira cartilha foi da Benedita Stall Sodré. A primeira lição é: “A pata nada”. Eu conseguia ler: “A pata nada”. Mas o que é “a pata nada”? O que quer dizer isso? A pata é a mulher do pato, não é isso? A pata nada, por que será que a pata nada? Pata é a mulher do pato ou o que é? E tudo isso atrapalhava.
Japonês com o inglês é semelhante. Não tem duas “boa noite”? "Good evening" e "good night". Japonês também tem: um quando chega e um quando vai embora. 

in Museu da Pessoa.

ANTONIO RUIZ VILANOVA: CARTEIRA DO MENOR




Meu nome completo é Antonio Ruiz Vilanova, eu nasci em São João da Boa Vista, em 28 de janeiro de 32. 
Meus pais eram Salvador Ruiz Castilho e Águeda Vilanova. Meus avós, Salvador Gimenez e Helena Del Castillo. 
São de origem espanhola. Vieram todos da Espanha, meus avós e meus pais. Vieram de navio, no começo do século, fugindo da guerra, como a maior parte do povo. 
Eles vieram direto pra São João da Boa Vista. Desembarcaram em Santos. 
Em São João da Boa Vista, eles trabalhavam na lavoura. Moravam na roça. 
Meus pais, em 32 - eu nasci em 32, mas com três meses meu pai me trouxe pra Guararema - compraram uma propriedade em Guararema, meus avós e meus pais. 
Nós ficamos em Guararema até 43, 44, mais ou menos. 
Aí depois viemos pra São José dos Campos. 
Eles trabalhavam na roça, e as terras daqui, pra lavoura, são péssimas. Então, eles foram se cansando, cansando. Acabaram vendendo e se mudaram pra cidade. Na cidade, meu pai tinha banca no mercado. 
Vendia cereais, verduras. Banquinha pequena. Mercadão. Mercadão Central. Meu pai tinha umas três ou quatro bancas nesse Mercadão.
in Museu da Pessoa.

GUILHERMINA MARIA ROCCO VILELA LEITE



Sou Guilhermina Maria Rocco Vilela Leite. Mas se alguém me chamar de Guilhermina, ninguém sabe quem é na minha cidade. É Mariazinha Rocco. 
Se alguém falar que é Guilhermina Leite ninguém sabe quem é. É um apelido que me deram desde que eu nasci. Então fiquei conhecida na loja, por causa do comércio, por causa da escola, eu fiquei conhecida como Mariazinha. Então adotei o nome. Nasci em Guaratinguetá, em 19 de junho de 1930. 
Meus pais eram José Rocco e Georgina D’Alessandro Rocco. Meus avós eram Maria Loia Rocco, Tomás Rocco, que foi o fundador da loja. E os avós maternos: Ângelo Rafael D’Alessandro e Guilhermina Constanza D’Alessandro. 
Meu pai era do comércio e meu avô também. O meu avô materno também era comerciante. Está no sangue. Minha mãe era mais dona de casa e a avó também. 
A origem da família é italiana da parte dos dois lados, só a minha avó materna que era brasileira. Mas meu avô era italiano, o meu pai era italiano. 
Meu pai nasceu na Itália. Ele veio para cá com dezoito anos. Nasceu em 1888. O meu avô - eles vieram de uma aldeia muito pequenininha lá na Itália - , ele tinha dois filhos: tinha o meu pai e a minha tia. E ele veio tentar a vida na Argentina, no Novo Mundo, na América. Fazer a vida, fazer a América, que eles chamavam antigamente. Então ele veio, mas não gostou da Argentina, não se adaptou em Buenos Aires. E como tinha um padre em Guaratinguetá, aqui no Brasil,...

in Museu da Pessoa.

Sérgio Adelchi Bonádio Weiss e Família.


Sou Sérgio Adelchi Bonádio Weiss. 
Sérgio Adelchi é mais da parte de italiano. Minha mãe era italiana, Bonádio. 
E Weiss é de austríaco, de Viena - meu avô era austríaco. 
Nasci aqui em São José dos Campos, quando São José era uma coisa horrível - só tinha tuberculoso aqui - em 1928, no dia 7 de novembro, na atual avenida doutor João Guilhermino. 
Meu pai era Roberto Maximiano Weiss e minha mãe era Inês Maria Antonieta Bonádio Weiss. 
Do meu avô eu lembro. 
Por parte de pai era Leopoldo e ele foi contratado pelo governo brasileiro para ser chefe dos Correios e Telégrafos no Rio de Janeiro. 
O meu avô Leopoldo Weiss que imigrou para o Brasil. 
Da família de minha mãe, o meu avô, Eugênio Bonádio, italiano, veio para o Brasil mais ou menos em 1915. Acho que veio fugido da guerra. E ele trabalhou em uma cidade do interior aqui, que chamava Pedreira, trabalhou em Jundiaí e depois ele resolveu, juntou um dinheirinho - não era rico, não - e queria fazer uma fábrica de louça. 
Arranjou um sócio e ele pegou um trem. 
Naquela época, se viajava muito de trem. A Central do Brasil, maria-fumaça, aquelas coisas. E ia indo para Pindamonhangaba, onde estava combinado que a Cerâmica Bonádio, a Santo Eugênio, ia ser edificada. Mas quando passou aqui por São José, deu um problema no trem, e o maquinista, o chefe, disse: 
“Olha, seu Eugênio, nós vamos demorar umas duas horas, se o senhor quiser dar uma volta pra conhecer a cidade...”

in Museu da Pessoa.