terça-feira, 10 de outubro de 2017

ITU E A BANDA UNIÃO DOS ARTISTAS

Publicado: Quinta-feira, 14 de junho de 2012
Banda União dos Artistas: cem anos de história e orgulho para Itu.
Livro e apresentações celebram com glória o centenário.
Crédito: Arquivo da Banda União dos Artistas

Banda União dos Artistas, 100 anos de história
Por Camila Bertolazzi

Em 09 de junho de 1912, a população ituana foi informada - por intermédio de notícias dos jornais locais - sobre a organização de uma nova banda de música na cidade, formada por um grupo de 21 músicos amadores, destes, pelo menos dez eram italianos ou descendentes. 
Nascia a Banda União dos Artistas, “independente e sem cor política”, como definiu, na época, o maestro, professor e compositor José Maria dos Passos.
A primeira apresentação pública aconteceu no dia 16 do mesmo mês, e recebeu críticas positivas do jornal “A Federação”, o qual publicou que a banda era constituída por “elementos dispersos” de músicos e formada por “bons elementos e com um repertório caprichosamente organizado”.
Entre os músicos que faziam parte do grupo destacaram-se: Guerino Bordini, Julio Zeppini, Ítalo Constancio, João de Deus, José de Quadros (Nhõ Zé Quatro Paus), Domingos Campagnolli, João Baptista Macedo (Neguinho), Juca Avelino, João Emanuelli, Deuclides dos Passos, Joaquim Tomaz, Tercilides Bellintani, Augusto Bellintani, Antonio Segamarchi, Luiz Suvié e Teto.
Durante esses cem anos de história, inúmeros títulos foram conquistados pelo grupo, dentre os quais se destacam o de melhor banda do interior paulista em 1959; o de melhor banda civil do Brasil em 1964; e o de campeã paulista no campeonato de bandas de 1978. 
Além das conquistas, algumas fases da corporação foram destacadas pela historiadora Anicleide Zequini e pela artista plástica Maria Célia Bombana, que juntas escreveram o livro “A ‘Banda de Itu’, 100 anos de Luta e Glória 1912-2012”:

> A formação, em 1912, quando nasce “sem cor política”, em um momento em que a cidade de Itu estava passando por um longo período de agitação politicamente proveniente das facções Jagunços e Maragatos;
> Foram os festeiros das festividades de Santa Rita de Cássia, em 1940;
> Participaram do IV Centenário da Cidade de São Paulo, em 1954;
> Conquistaram o título de Melhor Banda Civil do Interior de SP, em 1959;
> Participaram dos Programas “Lira do Xopotó” e “Papel Carbono” da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em 1959. Gravaram seu primeiro LP de grande sucesso, que a projetou para o cenário nacional;
> Foi agraciada com a Cruz do Mérito Educacional do Ministério da Educação, em 1962;
> Conquistou o Título de Melhor Banda Civil do Brasil, em 1964;
> A convite do Presidente da República, o General Emílio Garrastazu Médice, foi para Altamira no Pará para participar das festividades de inauguração da rodovia Tansamazonica, em 1972.

“O período em que a banda teve sua maior divulgação foi entre as décadas de 50, 60 e 70, período que coincide com o auge do rádio como meio de comunicação e com os festivais de banda que eram muito apreciados pela população”, afirmam as autoras do livro.
Segundo a historiadora, a Corporação Musical União dos Artistas, como o título do livro expressa, tem sua história ligada a Lutas e Glórias. 

"De um lado os músicos amadores que, desde sua fundação nada recebem para tocar, mas que se dedicaram durante suas vidas a Banda União; aos Maestros que por lá passaram, que se dedicaram em compor músicas para a banda. Na formação de novos músicos e que sempre acreditaram em sua continuidade. E as Glória, o de ter conseguido alcançar os 100 anos ainda em atividade, um orgulho para todos aqueles que por lá passaram e para Itu que pode se orgulhar de ter esse patrimônio cultural", ressalta Zequini.

Segundo o atual presidente da Corporação Musical União dos Artistas, Sérgio Murgillo Honório, o maior desafio enfrentado durante esses 100 anos foi a construção da sede, em regime de mutirão, que envolveu os músicos e a população ituana. “Nunca houve qualquer motivo, por maior que fossem as dificuldades apresentadas, para se pensar em encerrar as atividades da banda. Lembrando sempre que todos os músicos e toda a diretoria exercem suas funções com amor e carinho pela nossa banda, não há remuneração de qualquer espécie”, afirma ele que exerce o cargo de presidente há quatro anos, tendo sido reeleito para biênio 2012/2014, a partir do próximo dia 16.

A “Banda de Itu”, 100 anos de Luta e Glória 1912-2012
O convite partiu do maestro Francisco Belculfiné, em meados de 2011, que pensava em comemorar os 100 anos da Corporação Musical União dos Artistas com a publicação de um livro sobre a História da “Banda de Itu”. A ideia foi proposta à diretoria da Academia Ituana de Letras (Acadil). “Durante algumas conversas, acerca do possível escritor para o livro, estavam o Sr. Ignaldo Lepch, acadêmico e autor de vários títulos dedicados a História de Itu, e eu e a Maria Célia Brunello Bombana”, relembra Anicleide.
O livro “A ‘Banda de Itu’, 100 anos de Luta e Glória 1912-2012” - lançado dia 15 de junho deste ano - conta a história desta centenária banda de música ituana, que participou das Comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo, da abertura de um trecho da Transamazônica e de inúmeras premiações, entre elas, como a Melhor Banda Civil do Estado de São Paulo e também do Brasil.
O texto do livro – com 201 páginas - foi escrito a partir de uma ampla pesquisa sobre a trajetória desta Banda de Música e contém 82 reproduções fotográficas sobre os diversos momentos de sua história. Entre os assuntos abordados pelas autoras estão às primeiras notícias sobre a sua fundação, em 1912, e a cidade de Itu, o primeiro fardamento, os 13 maestros, a construção da sede e as inúmeras apresentações e prêmios recebidos durante estes 100 anos.
Além de um capítulo intitulado Coletânea: memórias e homenagens, na qual estão registrados a formação da Orquestra Sambrasil Internacional, formada por Francisco Belculfiné; artigos de traços históricos publicados sobre a Banda de Itu e o fac-similar da publicação Polianthéia, publicada em 1934, em homenagem a todos aqueles que contribuíram para a construção do São Elias Álvares Lobo, sede da Banda.
“O trabalho a quatro mãos foi muito gratificante e produtivo, e cada uma de nós têm pesos iguais nesta dura tarefa, que consistia em pesquisar as bibliografias existentes, os documentos em todo o Arquivo da Corporação, nos jornais locais.

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